segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

UM CAUSO POR ZELITO NUNES

Pintura de Antonio Claudio Massa

Caboclo Ferreira era uma conjunção perfeita de força física, extravagância e coragem,fatores que faziam dele uma pessoa que não conhecia o impossível. Nasceu em Boi Velho,Paraíba,em data não precisa,viveu sempre dali para Itapetim-PE,embora a sua fama na boca do povo o tivesse levado várias vezes à São Paulo ou Brasília,cidades destino dos desvalidos daqueles Cariris.

O imaginário popular dando asas a um herói que onde quer que chegasse formava-se uma roda ao seu redor para ouvir ou ver as suas proezas.

Uma delas,foi acontecida em Itapetim,quando ainda se chamava Umburana.

Genival Duda,de Monteiro,que o conheceu de perto,conta que,num dia de feira,dois cabras se desentenderam e se travaram no bufete,bem no meio da feira,provocando correria e desespero nos presentes,porque matuto é assim: corre pra cima pra ver,ou corre com medo sem sequer saber de que…

Bom,os cabras da briga rebolavam pelo meio da feira,derrubando tudo que tava em pé por lá - farinha,feijão,o diabo a quatro.
Alguém teve a idéia de chamar Caboclo pra apartar a briga,coisa que ele também gostava de fazer. Caboclo conhecia um dos cabras e correu pra lá. Chegando no meio da “imbuança”,pegou um dos brigões pelo pescoço e jogou ele pra cima .

O cabra caiu com todo corpo dentro de um caixão de farinha.
O outro,que era mais sambudo,ele agarrou pelo meio da cintura e jogou também pra cima. O cabra se estatelou em cima de um caminhão e ficou lá aquela porcaria.

A briga acabou aí.

Na outra feira,um deles chegou todo empenado,com um braço numa tipóia e chamou Caboclo num canto: "Seu Cabôco,eu queria pedir uma coisa ao senhor!"

- Pois peça!

- O que eu queria pedir ao senhor,seu Cabôco,é que quando o senhor me “ver” numa briga,mesmo que eu tiver apanhando,o senhor num aparte não,por caridade!