sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

PALHAÇO QUE RI E CHORA: DÉCIMAS DE LOURO DO PAJEÚ


I

Pinta o rosto, arruma palma
 Dentre os néscios e sábios
 O riso aflora-lhe os lábios
 A dor tortura-lhe a alma
 Suporta com toda calma
 Desgostos a qualquer hora
 Quando quer bem,vai embora
 Vive num eterno drama
 Pensa,sonha,sofre e ama
 Palhaço que ri e chora.
 
II

Se ama alguém com desvelo
 Deixá-lo é martírio enorme
 Se vai deitar-se não dorme
 Se dorme,tem pesadelo
 Sentindo um bloco de gelo
 Lhe esfriando dentro e fora
 Desperta,medita e cora
 Sente a fortuna distante
 Julga-se um “judeu errante”
 Palhaço que ri e chora.
 
III

Pelo destino grosseiro
 A vida jamais lhe agrada
 Se sente a alma picada
 Tem que ir ao picadeiro
 Não pode ser altaneiro
 Não tem repouso uma hora
 Chagas dentro,rosas fora
 Guarda espinhos,mostra flor
 Misto de alegria e dor
 Palhaço que ri e chora.
 
IV

Palhaço tem paciência
 Que da planície ao pináculo
 Este mundo é um espetáculo
 Todos nós,a assistência
 A falta de inteligência
 Gargalhamos qualquer hora
 Choramos sem ter demora
 Sem ânimo,coragem e fé
 Porque todo mundo é
Palhaço que ri e chora.

Lourival Batista Patriota, o Louro do Pajeú,era repentista,considerado o "rei do trocadilho". Nasceu a 06 de janeiro de 1915 na Vila Umburanas,hoje município de Itapetim. Concluiu o curso ginasial em 1933,no Recife,de onde saiu com a viola nas costas,para fazer cantorias.

Foi um dos mais afamados poetas populares do Nordeste. Irmão de outros dois repentistas famosos (Dimas e Otacílio Batista).foi um dos grandes parceiros do paraibanatírico e rápido no improviso,era temido por seus competidores. Louro morreu na capital pernambucana a 05 de dezembro