Carlinda Nunes vangloria-se do que é simples. Da vontade de viver sem sobressaltos,de comer sua talhada de melancia e de descobrir a beleza do vôo das garças.
Abaixo,seus rasantes da nostalgia:
Abaixo,seus rasantes da nostalgia:
Cacimbas do meu avô
Do velho Antônio Garra
Pra mãe Naná um alô
Da sua neta cigarra
Que nesta vida só canta
Mas nunca pela garganta
E sim pelo coração
Descrevendo as raízes
Da vida os seus matizes
Na força da expressão!
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Hoje tudo parece um sonho
Itapetim na verdade
É um contraste medonho
Que só desperta saudade
E com ela vou descendo
Aqueles sítios revendo:
Os Prazeres e os Silveiras
A Maniçoba,a Goiana
Onde saudade engalana
As tardes alvissareiras!
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Cacimba Nova,os Machados
Não te esquecem como filhos
Nos teus baixios e prados
Hoje só chegam andarilhos
Olhando p'ras casas velhas
Onde as résteas vermelhas
Das luzes do por-do-sol
Penetram ali como flechas
Pelos buracos e brechas
Naquele triste arrebol!
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Cheiro de terra molhada
Mata,pasto e marmeleiro
O tilintar da enxada
Depois de um grande aguaceiro
A vida toda mudava
Em panorama que encantava
Sua canção maviosa
Embelezando o cenário
Daquele santo sacrário
De terra boa e rochosa
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Os campos enverdeciam
Trocando sua roupagem
Arbustos apareciam
Mudando toda paisagem
A caatinga floria
Era um “show” de poesia
A sapo-boi coaxava
Anunciando outra cheia
A mata virava aldeia
Onde o poeta sonhava
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Quando os açudes sangravam
Banhos podíamos tomar
Os cabaços se amarravam
Como bóias pra nadar
Os troncos de bananeiras
Eram nossas nadadeiras
Sem biquíni,sem maiô,
Numa pureza total
Era tudo natural
Do jeito que Deus criou
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Se a chuva não faltava
Era na certa fartura
Cada vez mais se plantava
Milho feijão à altura
Fazia-se o adjunto
Onde todo mundo junto
Trabalhava em mutirão
Assim todos se ajudavam
E a colheita esperavam
Com grande satisfação!
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Cachoeira dos Vicentes
Da cana do doce fino
Na seca ou nas enchentes
Teu solo é quase divino
Vizinha da Boa Vista
Lá de Seu Pedro Batista
E do Caramucuqui
Do Recanto e da Serrinha
Onde o cantar da rolinha
É diferente daqui
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Itapetim de Dondom,
De Bá,Tiago e Juva,
O teu clima é muito bom,
Mesmo quando falta chuva.
Teu povo traz alegria,
Ternura e simpatia;
Dos teus sítios e recantos
Eu guardo recordações.
Canto hoje os teus rincões,
Ó terra dos meus encantos!
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Passo olhando o sobradinho
Do velho Zé Valdivino
Sujo velho acabadinho
Como que lembra o destino
Que a vida aqui é passar
Ninguém veio pra ficar
Aí lembro seu Crisante
Naquela fatal viagem
A triste dura passagem
Lá na Bahia distante
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Itapetim tem saudade
De quem saudade cantou
Desta sua mocidade
E ela nunca acabou
Em tarde de sol poente
Uma viola plangente
Antônio Pereira,o poeta,
Na mais sentida emoção,
Fez da saudade a canção
Sua musa predileta
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Itapetim,os teus ares
Estão cheio de energias
De Seu Augusto Tavares
E das belas sinfonias
Do maestro Zé Gongor
Com sua voz de tenor
De notas celestiais
Hoje nos planos divinos
Deve estar tocando os hinos
Que aqui não tocam mais!